Projeto Global Lives precisa de um help!

Fiz ontem uma tradução para o Global Voices sobre um projeto bacana: o Global Lives, que tem parceria com o interessantíssimo Museu da Pessoa, pretende gravar a vida de 10 pessoas de cantos diferentes do mundo por um dia inteiro, sem roteiro ou edição - mas com legendas. É aí que a gente entra: precisamos contar em inglês a história de Rael Feliciano, músico e inspetor municipal de São Paulo.

Veja o vídeo introdutório do projeto.

Esses filmes serão exibidos em inslatações no mundo inteiro, sendo a primeira em Sapporo, Japão, no próximo dia 25 de julho. Eis o motivo da pressa: por incrível que pareça, está chovendo colaboradores para traduzir do Chichewa (língua do Malawi), mas falta gente para colocar a mão na massa em português. Se você tem um tempinho livre, vale a pena entrar nessa. Além de participar desse projeto super interessante, quem colaborar com pelo menos 20 minutos de legenda para os vídeos ganha crédito pela tradução e um DVD do projeto.

Links úteis:

Website do projeto

Contato - info@globallives.org

Também publicado na Liga da Tradução.

Grupo no Facebook

Parece que a ordem do dia, tanto para tradutores quanto para jornalistas, é abraçar o mais rápido possível as possibilidades de networking. Portanto, temos agora um grupo para tradutores que oferecem o português como um dos idiomas de trabalho no facebook. Numa proposta similar, mas aberta a tradutores de todas as línguas é o Translation Jobs. No mais, eis uma lista de sites para freelancers - na maior parte das vezes, o registro de um perfil básico é gratuito:

http://www.proz.com/

http://www.gotranslators.com/

http://translatorscafe.com/cafe/default.asp

http://www.translationdirectory.com/

http://translatorsbase.com/

http://language123.com/

http://www.trally.com/

http://trytranslation.com/

Deslizes

Na tentativa de fazer uma crítica (e autocrítica) útil, estou compilando uma lista de equívocos de tradução. Esta é a primeira parte.
Uma vez que o intuito é chamar a atenção para deslizes que todos nós estamos sujeitos a cometer, conto os milagres, mas não os santos.
Os termos estão em inglês dos Estados Unidos traduzido para o português do Brasil. Entre parênteses, minhas sugestões. Se você também tem uma listinha assim ou sugestões para as palavras abaixo, deixe seu comentário.

  1. America (susbt.) — América (como referência ao país, melhor Estados Unidos). Quanto à nacionalidade, American, normalmente norte-americano é preferível a americano (afinal, estritamente falando, brasileiros também são americanos…).
  2. Approach (subst.) — aproximação (em muitos contextos, abordagem. E.g.: An optimistic approach to the problem.)
  3. Assume (vb.) — assumir (em vários casos, supor)
  4. Bottom line (subst.)— linha de fundo (em vários contextos, resultado, moral da história ou, ainda, lucro)
  5. Character (subst.) — caractere (quando associado a uma peça, livro ou filme, personagem)
  6. Compass (subst.) — compasso (em vários contextos, bússola)
  7. Disorder (subst.) — desordem (no contexto da saúde e comportamento, distúrbio. Some of them have a cognitive disorder.)
  8. Divination (subst.) — divinização (melhor, adivinhação, presságio)
  9. Do laundry (vb.) — cuidar da lavanderia (mais comum, lavar roupa)
  10. Entertain (vb.) — entreter (em alguns contextos, considerar. He entertained the possibility of buying a house.)
  11. Exciting (adj.) — excitante (em muitos casos, empolgante, emocionante)
  12. Expanse (subst.) — expansão (em vários contextos, melhor vastidão, extensão)
  13. Familiar (adj.) — familiar (por vezes, conhecido)
  14. Federal head (subst.) — cabeça federal (representante)
  15. Grain (subst) — grão (em vários contextos, melhor, cereal, ou mesmo, trigo)
  16. Gym (subst.) — ginásio (academia [de ginástica])
  17. Intriguing (adj.) — intrigante (em alguns contextos, é melhor enigmático, curioso, interessante)
  18. Lamp (subst.) — lâmpada (abajur, luminária)
  19. Luxury (subst.) — luxúria (normalmente, luxo)
  20. Novel (subst.) — novela (romance, literatura de ficção)
  21. Part (subst.) — parte (quando associado a um ator, papel)
  22. Perfect (vb.) — aperfeiçoar (em alguns contextos, também pode ser completar. Christ wishes to perfect his plan in our lives.)
  23. Plant (subst.) — planta (por vezes, fábrica, usina)
  24. Pretense (subst.) — pretensão (em vários casos, fingimento, simulação).
  25. Prevent (vb.) — prevenir (com freqüência, impedir)
  26. Primarily (adv.) — primariamente (principalmente, acima de tudo)
  27. Prize (vb.) — premiar (geralmente, apreciar, gostar, avaliar)
  28. Resume (vb.) — resumir (retomar, recomeçar, prosseguir)
  29. Service (subst.) — serviço (no contexto da igreja, também pode ser culto. He never attends the morning service.)
  30. Support (subst.) — suporte (em vários contextos, melhor apoio ou mesmo incentivo)
  31. Support (vb.) — suportar (em vários contextos, melhor apoiar, sustentar)
  32. Take advantege (vb.) — tirar vantagem (por vezes, pode ser melhor se aproveitar de. She takes advantage of her sister’s willingness to help.)
  33. True (adj.) — verdadeiro (em alguns contextos, fiel)
  34. Virtually (adv.) — virtualmente (na maioria dos casos, praticamente. Virtually all the board members were at the meeting.)
  35. Well-educated (adj.) — bem-educado (em vários contextos, culto, instruído).

O esquecido ponto-e-vírgula

Quem teria a idéia de escrever sobre o ponto-e-vírgula? Neil Roberts, jornalista do New York Times, se prontificou. Redigiu um artigo curioso sobre o sinal de pontuação menos conhecido tanto no inglês quanto no português. Em Celebrating the Semicolon in a Most Unlikely Location, Roberts explica o que leva tanta gente a hesitar em usar esse sinal de pontuação.

Os dicionários Houaiss e Aurélio trazem definições semelhantes para o dito cujo: “
Sinal de pontuação (;) que indica pausa mais forte que a da vírgula e menos que a do ponto”. Oh, really? Se você também continuou na mesma, confira os exemplos esclarecedores do site Gramática On-Line e bom uso do tão esquecido ponto-e-vírgula!

Bate-papo com o escritor Moacyr Scliar (áudio)

Está disponível na internet a série de entrevistas do excelente programa Letras & Leituras, apresentado pela jornalista Mona Dorf na Rádio Eldorado AM, de São Paulo. São conversas descontraídas sobre livros, autores, literatura, mais livros, mais autores e mais literatura. Os convidados são pessoas que fazem parte da cultura brasileira, entre elas jornalistas e autores conhecidos. Escolhi para mostrar aqui a entrevista com o escritor Moacyr Scliar, autor que tive o privilégio de conhecer pessoalmente muitos anos atrás e que escreveu um de meus livros preferidos, o esquecido A estranha nação de Rafael Mendes (se você leu esse livro e quiser saber como ele me influenciou visite este meu site e talvez entenda).

Na entrevista, Scliar falou, entre outras coisas, de seus livros e autores preferidos. Também falou sobre a influência da literatura judaica sobre sua obra, que, aliás, se enquadra também nessa linha. E, no finalzinho, um conselho de vida impagável do escritor para os ouvintes: “Don’t explain, don’t complain!” Vale a pena conferir!

Para ouvir a entrevista com Moacyr Scliar em formato mp3, clique aqui (com o botão direito, se quiser salvar no computador). Divirta-se!

Mapeando a Lusosfera

Criei um mapinha no google para indexar os blogues em português no mundo inteiro de acordo com a localização do autor. Essa indexação, espero, me ajudará na cobertura da lusofera que faço para o Global Voices Online.

Mapa da Lusosfera

Clique aqui para ampliar

Se você, visitante, tem blogue em português, por favor ajude a populá-lo (e se calhar a divulgar o projeto no seu blog!). É super fácil se colocar no mapa, só é preciso ter uma conta no Google. Veja aqui os passos:

- Entre na sua conta no Google,
- Vá ao mapa da Lusosfera
- Faça uma busca no topo pelo seu código postal, endereço, cidade ou país, a depender do quão especifíco você queira ser, :)
- Clique em ‘Save to my maps’ na caixa que vai aparecer, escolha Blogs em Português no menu dessa caixa e clique em ‘Save’.
- Edite essa entrada, colocando seu nome/pseudônimo, e se quiser, país, acrescentando os detalhes que quiser sobre o seu blogue e, claro, o link dele. Por incrível que pareça, tem gente que esquece desse detalhe básico!
-Depois é só clicar em OK de novo.

Para não ficar tão off-topic, aproveite para conhecer o projeto Língua, que traduz o Global Voices Online, e o novo design do Global Voices em Português - cada vez mais vistoso!

Como assim, Jobim?

Lamentável a notícia da Folha:Jobim diz que dificuldade com idioma prejudica acordo com a Rússia. Os grifos são meus:

No entanto, Jobim reconheceu que as negociações com o governo russo em busca de acordos para uma parceria que seria revertida em uma série de projetos pouco avançaram. De acordo com ele, o principal empecilho foi a “língua”. O ministro disse que há uma “dificuldade em falar e escrever” o russo.

Será que não passa pela cabeça dos nossos brilhantes ministros a idéia de contratar um intérprete?

Facebook em espanhol

Gabriela Zabo informa que a versão em espanhol do facebook, um trabalho de tradução colaborativa que envolveu 1.500 usuários contando com ela, já está no ar. Embora eu não apóie traduções colaborativas para empresas milionárias, ao que parece, a experiência foi positiva.

facebookmy3.png

Alemão e francês serão os próximos idiomas.

Welcome, newbies!

Alguns consideram os novos profissionais que ingressam em nossa área uma ameaça. Outros, do alto de seus zilhões de anos de experiência, não se dignam sequer a chamá-los colegas. É verdade que toda profissão tem seus amadores e picaretas. Nem por isso é sábio torcer o nariz para aqueles que estão entrando no mercado. Por outro lado, não podemos ser ingênuos. Os iniciantes sérios têm pelo menos três características e devem ser recebidos de braços abertos por três motivos:

1. Procuram realizar seu trabalho de forma ética. / Precisamos de profissionais dedicados e leais para contrabalançar o amadorismo e a concorrência suja.

2. Esforçam-se para crescer em conhecimento e competência. / Precisamos de profissionais humildes, dispostos a reconhecer suas limitações e trabalhar para superá-las e a admitir seus erros e fazer todo o possível para não repeti-los.

3. Desejam contribuir para desenvolver sua área de atuação. / Precisamos de profissionais generosos, prontos a passar adiante suas experiências e conhecimento.

Por mais sérios e competentes que sejamos, não vamos viver para sempre neste mundo. Podem me chamar de Poliana idealista, mas se desejamos deixar um legado relevante para as futuras gerações de tradutores e fazer alguma diferença em nossa área, precisamos acolher os recém-chegados e trabalhar lado a lado com eles, ensinando e aprendendo, ajudando-os a encontrar seu lugar no mercado.

E, para não ficar só no discurso…

Quem está começando agora ou está considerando seguir a carreira de tradutor, pode encontrar dicas interessantes abaixo.

Artigo do Translator’s Café para quem está pensando em seguir carreira.

Tradutor Profissional é um excelente blog no qual o tradutor Danilo Nogueira responde perguntas e fala sobre a realidade da profissão no Brasil.

Dez dicas para iniciantes do site Tips for Translators.

Guia resumido para iniciantes do site finlandês FILI.

Se você já está inserido no mercado, aproveite para compartilhar suas experiências.
Qual é sua dica para quem está começando agora? O que você faria de outra forma se estivesse em início de carreira? Quais os maiores desafios? Quais as recompensas?

A valorização da tradução direta

Abaixo, alguns trechos da reportagem de Alexandra Moraes e Ernane Guimarães Neto publicada no jornal Folha de São Paulo em 13/01/2008 sobre a valorização das traduções diretas.

Novo chamariz, tradução direta deixa de ser luxo e vira exigência

Se os textos de Dostoiévski, Tolstói, Gógol e Tchékhov, entre outros, não eram totalmente desconhecidos dos leitores brasileiros, sua tradução direta do idioma original aportou por aqui como novidade tornada obrigatória há quase uma década. Tanto quanto o autor, a frase “traduzido diretamente do russo” virou chamariz.

“A quantidade e a velocidade atuais de publicação dos russos realmente não são inéditas”, explica o professor da USP Bruno Gomide, pesquisador da recepção da literatura russa no Brasil, citando a “febre de eslavismo” dos anos 30 e a coleção de Dostoiévski da editora José Olympio nos 40.

“O que há de inédito é o fato de a tradução a partir do original russo ter se tornado uma exigência”, diz. “Ademais, exige-se que sejam feitas com qualidade. Já nos anos 30 havia edições feitas a partir do russo, mas em geral eram apressadas, ou então excessivamente atreladas a interesses de grupos políticos.”

[...]

Entre os principais tradutores dos clássicos estão Boris Schnaiderman, Paulo Bezerra e Rubens Figueiredo –que, desde 2003, lançou pela Cosac Naify textos de Tchékhov, Tolstói, Turguêniev e Górki. “Ele tem uma “quase bolsa” de tradução”, diz o editor Paulo Werneck.

A tradução direta não é luxo: mostra contornos que ficariam embaçados em versões indiretas. Gomide diz que um dos mais beneficiados por elas é Dostoiévski, “o mais comentado dos ficcionistas russos na crítica brasileira e o mais cercado por lugares-comuns.”

[...]

“Os russos, pela primeira vez em muito tempo, aparecem desvinculados da questão política”, aponta Gomide. “A volúpia de se conhecer a “Rússia subterrânea”, o “enigma soviético” ou qualquer tipo de “cor local” por meio da literatura está completamente ausente.”

Saiba mais sobre:
Boris Schnaiderman
Paulo Bezerra
Rubens Figueiredo

Folha escorrega na tradução

Fiquei sabendo desse escorregão da Folha de São Paulo por meio de uma mensagem de Flavio Steffen na lista de discussão de tradutores trad-prt:

ENTREVISTA / DAVID SAMUELS

Voto a congressistas não aumenta com aprovação de emendas

Estudioso afirma que há “correlação grande” entre sucesso de fazer emendas e conquista de doações

FERNANDO BARROS DE MELO
DA REDAÇÃO

O cientista político David Samuels, da Universidade de Minnesota, diz que, ao contrário do que pensam os parlamentares, não há uma correlação direta entre emendas ao Orçamento e o número de votos -uma crença alimentada pelo Executivo para barganhar apoio.

Samuels observa, porém, que as emendas aumentam as doações de campanha -fato constatado igualmente por economistas e cientistas políticos brasileiros.
Mas, segundo ele, o aumento na arrecadação dos políticos que fazem emendas não é, por si só, um problema. “O problema não é mais a questão do caixa 1 no Brasil. É o crescente caixa 2.”
Especialista em eleições no Brasil, Samuels destaca o encarecimento das campanhas brasileiras, não apenas para cargos do Executivo: “Os deputados gastam com o quê nas campanhas? Transporte, diárias para pessoas trabalhando, pagamento de papel impresso, showmício etc. Mas as eleições são tão custosas no Brasil porque há muita competição”.
Samuels publicou “From Socialism to Social Democracy? ***The Evolution of the Workers” Party in Brazil***” (do socialismo à social-democracia? ***A evolução da festa dos trabalhadores no Brasil****, 2004) e Ambition, Federalism, and Legislative Politics in Brazil (ambição, federalismo e políticas legislativas no Brasil, 2003), entre outros.

Os grifos e asteriscos são meus. Foi muito feio. Traduzir “The Evolution of the Workers’ Party in Brazil” como “A evolução da festa dos trabalhadores” mostra uma falta de conhecimento básico da língua inglesa, e corro o risco de dizer que é um erro que tradutor profissional nenhum deveria cometer.

Tá certo que Fernando Barros de Melo não é tradutor profissional - e sim jornalista - mas também não é nenhum foca, como Flávio lembrou em sua mensagem a lista. E o que mais me admira é que o texto deve ter passado por repórter, editor e revisor, sendo que ninguém tenha prestado atenção de verdade no texto - festa ali não faz sentigo nenhum.

Em errata publicada em 03/01, eles corrigem o erro:

Erramos

BRASIL (1.JAN, PÁG. A5) A tradução correta do título de um dos livros do cientista político David Samuels citados na reportagem “Voto a congressistas não aumenta com aprovação de emendas” é “Do Socialismo à Social-Democracia? A Evolução do Partido dos Trabalhadores no Brasil”.

Novas gírias: adolescente britânica monta dicionário

Se prepare para traduzir as novas gírias dos adolescentes britânicos, e se quiser começar a se familiarizar agora, a adolescente de Gloucestershire Lucy van Amerongen, de 13 anos, acaba de escrever um livro para ajudar aos pais mais perdidos a entender o que ela estava falando. No ‘The A-Z of Teen Talk‘ você encontra coisas como:

‘stoked’ (muito feliz)
‘vanila’ (entediante)
‘hench’ (duro)
‘nang’ (legal)
‘owdish’ (excelente)
‘mouldies’ ou ‘rents’ (pais)
‘antwacky’ (sem estilo)
‘cotch down’ (dormir)
‘jamming’ (sair com a turma)
‘rago’ (OK)
‘zip’ (gíria para a gíria yob, que é boy ao contrário)
‘za’ (abreviação de pizza)

E outras quase 300 palavras. A que eu achei mais interessante: book agora é gíria pra ‘cool’. Por quê? Ora, quando você começa a digitar as letras C O O L no teclado do celular em uma mensagem de texto, o sistema de previsão automática de palavras sempre mostra ‘book’ como primeira alternativa. Agora vá traduzir isso!

Alguém quer ajudar a traduzir o Facebook?

Eu particularmente não me interesso, não teria tempo e sou até contra - acho que deveriam contratar tradutores e remunerá-los satisfatoriamente. Mas para quem é fã de projetos colaborativos e tem tempo livre, ou quer ganhar alguma experiência, a dica está aqui. Curiosamente, o aplicativo parece não estar disponível - não sei se eles já conseguiram todos os voluntários que precisam.

Tradutores unidos em defesa da profissão

Na semana passada, surgiu entre os tradutores do Brasil algo que raramente (talvez nunca) aconteceu. Mais de cem tradutores se uniram em torno de uma causa comum: o repúdio aos plágios em traduções literárias repetidamente noticiados pela imprensa nos últimos meses e a defesa dos direitos morais dos tradutores como autores das obras que traduzem. Essa causa é defendida através de um abaixo-assinado, que desde sua elaboração, em 18 de dezembro, não pára de ganhar a adesão de profissionais da tradução.

O abaixo-assinado teve origem na Litterati, lista de discussão para tradutores de literatura e ciências humanas, que congrega mais de 1.000 tradutores, entre eles alguns dos mais renomados do país. As notícias publicadas no Jornal Folha de São Paulo em 4 de novembro e 15 de dezembro sobre plágios em traduções publicadas por editoras nacionais foram o pontapé inicial da discussão. Para quem trabalha com traduções de livros, nada é mais frustrante do que ver colegas serem desrespeitados em seus direitos de autores das traduções - além de ser um desrespeito para com a profissão em geral, isso significa que se ontem o plágio atingiu os colegas, amanhã poderá atingir qualquer um de nós. A discussão na Litterati gerou manifestações individuais de repúdio, mas também constatações de outras apropriações indébitas através de cotejos feitos por alguns tradutores. A situação, portanto, pedia um posicionamento dos tradutores.

Em menos de dois dias, o abaixo-assinado elaborado em 18 de dezembro ganhou a adesão de uma centena de tradutores. A essa altura, a adesão já não se restringia mais aos participantes da lista Litterati: vários tradutores de outras listas e comunidades, além de tradutores não associados a esses grupos e tradutores que não trabalham especificamente com traduções de literatura e ciências humanas, solicitaram sua inclusão no abaixo-assinado. Para concentrar os esforços de adesão e divulgação, foi criado o blog Assinado: Tradutores.

Enquanto a adesão aumenta, o abaixo-assinado é enviado a vários meios de comunicação e formadores de opinião em geral, recebendo várias manifestações de apoio. No sábado, 22 de dezembro, a Folha de São Paulo noticiou o abaixo-assinado, trazendo ainda mais divulgação para a ação coletiva.

O que se vê, portanto, é o início de um debate público sobre os direitos morais dos tradutores como autores de suas traduções. Já foi-se o tempo em que os autores dos originais eram os únicos que tinham status de “autores”, isto é, criadores de obras originais. Hoje, com a Lei dos Direitos Autorais e divulgação crescente da figura do tradutor e seu ofício, não há como negar que a tradução é ela própria uma obra intelectual original e, como tal, sujeita aos mesmos regulamentos que protegem as demais obras intelectuais.

Para aderir ao abaixo-assinado, visite o blog Assinado: Tradutores. Aproveite também para ler no blog alguns artigos de análise da situação e alguns cotejos que constatam apropriações indébitas de traduções.

Feliz centenário para o companheiro Niemeyer

Pesquisando e traduzindo trechos da blogosfera sobre o centenário do arquiteto Oscar Niemeyer, passei pela experiência interessante de traduzir de volta ao português uma citação dele em entrevista ao The Times sobre o aniversário de 100 anos hoje:

“The date is not important. The age is not important. Time is not important. Life is very fleeting. It’s important to be gentle and optimistic. We look behind and think what we’ve done in this life has been good. It was simple; it was modest. Everyone creates their own story and moves on. That’s it. I don’t feel particularly important. What we create is not important. We’re very insignificant.”

“A data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A vida é muito fugaz. É importante ser gentil e otimista. A gente olha para o que passou e pensa no que fizemos de bom em nossas vidas. Foi uma vida simples, foi modesta. Cada um cria a sua história e segue adiante. É isso. Eu não me sinto importante em especial. O que criamos não é importante. A gente é muito insignificante”.

Imagino que a entrevista a Tom Dyckhoff tenha sido dada em português com a ajuda de um intérprete, já que na entrevista para o programa Hundred Years of Concrete da BBC Radio 4 ele não fala em inglês. Então, espero, que minha tradução corresponda ao que passou pela cabeça do grande arquiteto, e em minha opinão poeta, Oscar Niemeyer.

Em tempo: minhas matérias sobre o assunto podem ser lidas em inglês, português e alemão.

CCJ da Câmara aprova lei contra estrangeirismos

Da Agência Estado
Denise Madueño, de Brasília

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou na manhã desta quinta-feira (13 de dezembro) projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que proíbe o uso de estrangeirismos no país.
Pelo projeto, toda palavra ou expressão escrita em língua estrangeira e destinada ao conhecimento público no Brasil virá acompanhada, em letra de igual destaque, do termo ou da expressão correspondente em português.
Isso inclui os meios de comunicação de massa, as mensagens publicitárias e as informações comerciais.
No caso de documentos da administração pública, o uso do português é obrigatório. A punição para os infratores ainda será definida em lei.
O projeto já foi aprovado pelo Senado, e agora falta apenas a votação pelo plenário da Câmara.

Só em Moçambique

Recebi por e-mail, infelizmente a fonte não foi citada, portanto não posso garantir veracidade. Investigarei um pouco mais tarde, assim como digitarei essa carta no Google Translate para ver se o português faz mais sentido!

mozambique.jpg


Wikipedia frita

Dica tradu-gastronômica do blogue Translation is an Art, em Pequim você pode se deliciar com Wikipedia Frita, Wikipedia com Pimentão e até Churrasco de Enguia com Wikipedia, como na foto abaixo. Eu já falei aqui, mas não me canso de repetir: adoro traduções de cardápios chineses. Pena que aqui em Londres, contaminados com inglês autêntico, já não se ache tantas pérolas.

Atualizando 10/12: De acordo com minha colega tradutora chinesa, o que eles chamam sabe-se lá por qual motivo de wikipedia é apenas ‘galinha frita’. No caso do churrasco de enguia, trata-se o oléo usado para fritar a galinha em si.

Ccaps

Se você está com um tempinho livre para navegar, coisa que aqui está em falta, dê uma olhadinha nessa revista online sobre localização com foco no Brasil, ou no blog deles.

Tradução e Cultura

Damos boas-vindas à blogosfera a mais um tradutor-blogueiro: Alexandre Sobreira é doutorando em Letras pela UFMG e tem 17 anos de bagagem como tradutor. Ele bloga no Translation&Arts.

1001 Dúvidas de Português

Outro dia, deixei o orgulho em casa e comprei a versão portátil do livro 1001 Dúvidas de Português de José de Nicola e Ernani Terra (Ed. Saraiva, 2006). De acordo com a apresentação, o propósito do livro é: “Atender ao leitor comum, aquele que tem uma dúvida gramatical e precisa solucioná-la de modo rápido e preciso. Muitas vezes, esse leitor, mesmo de posse de uma boa gramática e um bom dicionário, não consegue resolvê-la em tempo hábil. Este livro não pretende — nem seria possível — substituir uma boa gramática e um bom dicionário”.

O 1001 Dúvidas cumpre o que promete. Tirando vários verbetes excessivamente básicos (p. ex.: “mortadela”, e não “mortandela”; “optar”, e não “opitar”), ainda sobram tópicos úteis com explicações simples e objetivas como:

A ANOS / HÁ ANOS
Na indicação de tempo, emprega-se para indicar tempo passado (equivale a “faz”).
dois meses que ele não aparece.
Ele chegou da Europa um ano.
Utiliza-se a para indicar tempo futuro.
Daqui a dois meses ele aparecerá;
Ela voltará daqui a um ano.

Também traz um formulário ortográfico e um índice alfabético-analítico no final.
Não é um estudo profundo da nossa língua, mas rende uma boa leitura de sala de espera.

Constance Garnett e os russos

Quando comecei a ler Guerra e Paz de Tolstoy em inglês, a primeira coisa que procurei no livro foi uma introdução ou comentário sobre a tradutora Constance Garnett. Como se trata de uma daquelas edições populares da Barnes & Noble, o livro mal e mal tem capa, quanto mais informações relacionadas à tradução. Coincidentemente, semana passada, encontrei um artigo de David Remnick na revista New Yorker sobre Constance Garnett e outros profissionais que traduziram os grandes escritores russos. O artigo é longo, mas vale a pena.
Sobre o estilo por vezes desleixado de Garnet, Remnick comenta:

Garnett’s flaws were not the figment of a native speaker’s snobbery. She worked with such speed, with such an eye toward the finish line, that when she came across a word or a phrase that she couldn’t make sense of she would skip it and move on. [!!!] Life is short, “The Idiot” long. Garnett is often wooden in her renderings, sometimes unequal to certain verbal motifs and particularly long and complicated sentences.

O artigo também descreve o processo de trabalho de uma das traduções mais recentes de The Karamazov Brothers e fala do trabalho de Vladimir Nabokov como tradutor. Aliás, é dele o poema sobre a impossibilidade da tradução:

What is translation? On a platter
A poet’s pale and glaring head,
A parrot’s screech, a monkey’s chatter,
And profanation of the dead.
The parasites you were so hard on
Are pardoned if I have your pardon,
O Pushkin, for my stratagem.
I travelled down your secret stem,
And reached the root, and fed upon it;
Then, in a language newly learned,
I grew another stalk and turned
Your stanza, patterned on a sonnet,
Into my honest roadside prose—
All thorn, but cousin to your rose.

A tradução de Garnett pode não ser impecável, mas, uma vez que meu conhecimento de russo se limita a palavras como vodka, samovar e perestroika, não posso tecer nenhuma crítica fundamentada. De um modo geral, a linguagem é clara e, apesar de todos os nomes, sobrenomes, patronímicos, apelidos, frases em francês, notas de rodapé e notas finais (ufa!), acredite ou não, a história flui e envolve.

Ou a narrativa de Tolstoy é tão extraordinária que sobreviveu a uma tradução muito aquém do ideal, ou Garnett, apesar de suas falhas, conseguiu captar a voz do autor e as ironias, o heroísmo e o espírito da época. Talvez um pouco dos dois…

Para quem quiser ler mais sobre Tolstoy e os personagens de Guerra e Paz, a mesma revista traz um artigo esclarecedor de James Wood.

Black Pride

A coluna Toda Mídia, do Nelson de Sá, encerrou hoje com um filé: destacando a matéria que fiz no fim de semana para o Global Voices sobre o dia da consciência negra e o grande debate sobre racismo no Brasil. Eis a matéria original em inglês e a tradução para a nossa língua. Leia, compare as versões, opine, colabore.

blackpride.jpg

Alías, uma grande oportunidade de ir lá conhecer o trabalho do Projeto Lingua do Global Voices Online, que tem como meta amplificar o debate global através de traduções de posts em blogosfera locais.

E que o dia 20 de novembro ultrapasse a barreira do feriadão para ser um dia para reflexão.

Para quem ama palavras

Divertido e instrutivo o site World Wide Words. Organizado por Michael Quinion, um Renaissance Man (alguém tem uma tradução melhor do que a do Michaelis – “intelectual com cultura universal”?), o site trata de vários aspectos da língua inglesa. Particularmente úteis são as listas Weird Words e Turns of Phrase. Não trazem a tradução, mas ajudam a compreender expressões e termos esdrúxulos como “chuck-farthing” (it’s not as obscene as it sounds!) e “stoozing”.
Também vale a pena conferir os artigos. Gostei especialmente de um chamado “A rose by any other name: Losing something in translation?” que descreve a origem de alguns nomes como “Jerusalem artichoke” e “aubergines” e trata da maneira como nossa mente busca e forma padrões lingüísticos - alguns apropriados, outros, nem tanto.

MySpace Brasil

Depois de um ano de preparativos, o site localizado do MySpace para o Brasil acaba de entrar no ar, em versão beta. À primeira vista, tudo parece bem, a não ser essa Mania de Usar a Pontuação Americana que muito me irrita. Uma coisa que gostei muito no processo de internacionalização do MySpace foi a preocupação em fazer sites separados para o espanhol falado nos Estados Unidos, no México, na América Latina e na Espanha. Será que eles colocarão no ar um site para Portugal também?

Oficina de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil

Informações emprestadas do blogue Filisteu, do Cisco Costa, uma ótima descoberta nessa manhã de domingo.

Oficina de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil Anglo-Americana (textos em domínio público)

Ministrante
Erica Foerthmann Schultz, professora da Faculdade de Letras da PUCRS (Setor de Inglês) e do Instituto de Letras da UFRGS (Setor de Alemão).

Data e Horário
17 e 24 de novembro de 2007, das 9 às 12 h.

Local
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - Av. Ipiranga, 6681
Prédio 8 – 50 andar – Laboratório de Línguas – Laboratório de Pesquisa.

Público-alvo
Estudantes da PUCRS e UFRGS que estejam cursando o Bacharelado ou a Licenciatura em Língua Inglesa, a partir do 30 (terceiro) semestre.

Objetivos
* Contribuir para a formação novos tradutores.
* Sensibilizar para as questões relativas à tradução de texto de especialidade: a literatura infanto-juvenil.
* Publicar um número da revista Cadernos de Tradução, do Instituto de Letras da UFRGS, dedicado à literatura infanto-juvenil de expressão anglo-americana, em domínio público.

Vagas
10 vagas para estudantes da PUCRS e 10 vagas para estudantes da UFRGS.

Inscrições
Enviar e-mail para o endereço ericasofia ARROBA terra PONTO com PONTO br, indicando o nome completo, universidade, número de matrícula e semestre. As inscrições serão realizadas por ordem de recebimento das mensagens, reservando-se dez vagas para cada universidade participante (PUCRS_UFRGS). Os demais inscritos ficarão em lista de espera, observando-se a ordem de recebimento das mensagens.

Deu no JN: Quadrilha é presa por causa de erro ortográfico

Ao que parece, todos os oito envolvidos assumiram a intenção de assalto, mas ninguém quis se responsabilizar pelo crime à gramática da língua portuguesa. “Do ponto de vista operacional, eles são muito bons. Mas, do ponto de vista gramatical, são péssimos. Isso nos deu a certeza para trabalhar”, disse o delegado Rui Ferraz.

Veja o vídeo no site de Jornal Nacional.

Mais sobre tradução mecânica - Um lado positivo?

Em resposta ao post anterior sobre tradução mecânica, o Renato Beninatto deixou um link para uma experiência bem interessante que ele fez: usando a ferramenta de tradução mecânica do Google e o dotSUB, ele bolou o roteiro de um vídeo caseiro em portugês, traduziu o mesmo para o inglês e do inglês para várias línguas (árabe, espanhol, francês, italiano, japonês, chinês e russo), colocou legendas e disponibilizou o vídeo online.

Um processo que normalmente consumiria um tempo enorme, necessitaria de vários profissionais e acarretaria em um orçamento altíssimo foi concluído em algumas horas, a custo zero. O argumento do Renato é de que tradutores que hoje não usam o Google para pré-processar trabalhos estão trabalhando em dobro e perdendo tempo. Leia o texto no Localization Industry 411 para saber o porquê e conhecer ferramentas gratuitas que podem vir a revolucionar o mercado de trabalho tradutório.

Eu enxergo bem o ponto de vista dele. Mas eis a diferença: na minha opinião, se essas ferramentas podem ser de grande valia para o profissional da tradução, já não sei se valeriam tanto para empresas que decidam por conta própria disputar espaço em um mercado internacional. Um exemplo real, da empresa para qual eu trabalho. Eles decidiram que facilitaria bastante, apesar de terem um time de tradutores de todos os idiomais nos quais eles operam trabalhando em tempo integral, usar tradução mecânica para traduzir partes de um de seus sistemas. Acreditavam eles que isso significaria economia de tempo (alguns dias) e dinheiro (questionável), sem que houvesse muita diferença na qualidade.

Depois de um ano, a central de atendimento ao consumidor estava cansada de ouvir as mesmas reclamações - por coicidência sempre sobre aquelas mesmas áreas. Eles também notaram que poucos consumidores em outros países usavam os sites multilíngues, e tinha muita gente que se dizia que não confiar em um sistema cuja tradução era rídicula e que não parecia um trabalho profissional. Pessoas do alto escalão da empresa, falantes de outras línguas, também perceberam os erros crassos. E esses, sem saber da decisão de usar tradução mecânica, questionaram a qualidade do trabalho dos tradutores da casa. Sem contar, claro, o prejuízo incomensurável à credibilidade da empresa.

Foi então que decidiram nos deixar revisar todo sistema, o que nos custou quase três meses de trabalho. Muitas das traduções eram dignas de piadas. Línguas foram misturadas. Pedaços deixados em inglês. Ok, talvez eles não tivessem usado o Google Translate nem nenhuma dessas ferramentas de última geração, mas acabei de fazer um teste com duas das frases que mais receberam reclamações, e sim, melhoraria um pouquinho, mas ainda faltariam algumas das preposições essenciais que um tradutor de carne e osso não teria deixado de fora. Espero que tenham aprendido a lição.

Tradução mecânica - não é bem assim

O Global Watchtower - Globalization in Practice traz um artigo muito ineressante de Donald A. DePalma resenhando um artigo recentemente publicado no Wall Street Journal, que disse que “software de traduções finalmente estão bons o suficiente para que empresas façam negócios em outros idiomas”. Ele usa um texto em português para mostrar que não é bem assim. Vale a pena ler.

Aos ergasiomaníacos de plantão

De acordo com o dicionário Aurélio, um ergasiomaníaco é alguém que sofre do desejo patológico de trabalhar permanentemente. O termo aparece no Houaiss como um cultismo e corresponde ao substantivo workaholic, definido ali como “trabalhador compulsivo”. Para quem pensa que ser workaholic é chique, sugiro uma leitura rápida (para não atrapalhar o trabalho) de alguns trechos transcritos abaixo, extraídos de um artigo sobre o assunto publicado no New York Times.

Apesar de não ser novidade, o fenômeno continua em pauta em inúmeras revistas e livros de diversas áreas. É possível que isto se deva, em parte, ao fato de nossa sociedade valorizar o workaholic e outros compulsivos borderline – aqueles que se destacam de forma positiva por seu comportamento excessivo, mas não chegam a entrar em colapso. Um tradutor com essa tendência, por exemplo, pode ser extremamente bem-sucedido: atende a vários clientes/editores de uma vez, cumpre prazos e nunca diz “não”. Como não tira férias e trabalha fins-de-semana e feriados, também se mostra mais produtivo do que outros colegas (pelo menos por algum tempo). Tudo corre às mil maravilhas em sua linda rotina de perfeccionismo, pânico, pressão e medo de perder o controle. Mas a que preço ele obtém o seu sucesso? Não é preciso ser um workaholic inveterado para deixar de lado as coisas importantes da vida — o relacionamento com família e amigos, por exemplo — em troca das coisas urgentes do dia-a-dia. Ao mesmo tempo, temos compromissos e responsabilidades que não podem ser ignorados e, portanto, precisamos de sabedoria e equilíbrio para administrar nossas tarefas.

When Hard Work Becomes Overwork

By PHYLLIS KORKKI

The New York Times, Published: October 21, 2007

Q. You put in 12 to 14 hours a day at the office and often work on weekends and at home. Some people have joked that you are a “workaholic,” and a few people close to you have even said that it’s a serious problem. Is it? How can you tell?

A. Chances are you’re a workaholic if you feel compelled to work for the sake of working, and you feel panic, anxiety or a sense of loss when you aren’t working.

The workaholic is “addicted to incessant activity” […] The behavior continues even if the worker becomes aware that it is personally harmful — even harmful to the quality of the work […]

Q. Are certain types of people more prone to workaholism than others?

A. Most workaholics are either perfectionists, have a need for control or a combination of both […]

Q. What’s the difference between workaholism and working very hard?

A. The nonworkaholic knows how to set boundaries. […] “Many of us at various times in our life have to work very long hours, but we have the internal regulator that says, ‘This has gone on long enough.’” The workaholic “feels bereft without that constant activity,” she said.

Q. What are some telltale signs of workaholism?

A. If several people close to you say they feel neglected by you because of your work, you should certainly take their concerns seriously […].

And if you regularly conceal from family members that you are working — say, sneaking into the next room to peek at your BlackBerry — you may have a problem […]

Q. Do workaholics accomplish more than people who work fewer hours?

A. Often, they don’t. For one thing, they may become so fixated on tiny details that they find it hard to move on to the next task […] “They’re not looking for ways to be more efficient; they’re just looking for ways to always have more work to do.”

Most companies think that they are benefiting from a workaholic’s long hours, even if it is at the worker’s expense, Professor Porter said. In fact, she said, workaholism can harm the company as well as the worker.

Q. How can workaholism harm a company?

A. In addition to discouraging efficiency, it can put enormous stress on co-workers. If the workaholic is a manager, he or she may expect long hours from subordinates, may force them to try to meet impossible standards, then rush in to save the day when the work is deemed substandard, Professor Porter said.

The person may look like a hero, coming in to solve crisis after crisis, when in fact the crises could have been avoided. Sometimes, the workaholic may have unwittingly created the problems to provide the endless thrill of more work.

Q. What steps can a person take to stop working too hard?

A. The behavior can be an extraordinarily hard to change, experts agree. “People will go through withdrawal,” Professor Porter said.

That is why professional help, or the active support of family members and friends, may be needed to turn the tide.

In addition, an employer could perceive the workaholic’s reduced work hours and curtailed accessibility as a drop in performance, Professor Porter said. In that case, it may be necessary to request a new assignment or a transfer within the company, she said.

 Quer saber se você é um workaholic? Faça o teste no site da revista Forbes.