Volta e meia se fala sobre voluntariado no ramo da tradução - e uma busca rápida na internet revela um bom número de vagas disponíveis, para todos os gostos.
Enquanto alguns acreditam que seja algo necessário para quem precisa ganhar alguma experiência no mercado de trabalho, outros dizem que fazer de graça o que profissionais fazem para ganhar a vida acarreta uma desvalorização ainda maior de uma profissão que, no Brasil pelo menos, nem regulamentada é. Mercado profissional esse que, muitas vezes, já é prejudicado por profissionais mal formados que acreditam que saber um pouco de inglês é o que basta para abrir uma banquinha de tradução.
A verdade é, claro, que se houver quem faça tudo de graça, ninguém vai querer pagar - e talvez nem se importar com a qualidade do texto traduzido. Mas existe uma enorme e fundamental diferença entre colaborar com um software de código livre, por exemplo, e traduzir voluntariamente para o Google - gigante que poderia muito bem remunerar seus tradutores. Como tudo na vida, ser voluntário tem limites.
Acho que essa é uma questão muito delicada, mas que assim como médicos, advogados, professores, o tradutor, e não apenas aqueles inexperientes em busca de um lugar ao sol, pode sim ser voluntário em causas nas quais, acima de tudo, acredite, seja ela uma campanha contra Bush ou o Fórum Social Mundial. Ou por uma questão de cidadania, para usar um pouco do tempo livre que tem para contribuir para um mundo melhor. E, melhor ainda, unir o útil ao agradável, ser voluntário de um projeto que vá ensinar muito e ampliar os horizontes profissionais. Mas não pro Google, nem pra Microsoft.
Eu traduzo regularmente, e as vezes produzo textos, para o Global Voices Online, e tenho aprendido muito mais com isso, sobre tradução e sobre o mundo, que em quase dois anos de batente como tradutora in-house. E isso tem me feito muito bem, ao meu lado tradutora e à veia jornalística que não para de pulsar. No fundo, no fundo, é isso o que importa.
Outras discussões sobre o assunto em blogues:
Tradutores Voluntários, por Fabio Said
O tradutor e seu status, Danilo Nogueira
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